Script sujo de café

Acertou em cheio
O pote quebrou
Usando das frechas que a vida dá
O ouro de tão puro amassa

Como um escritor que senta
E escreve uma cena
Molha os lábios de seus personagens
Prepara para o clímax e sua mágica

Quem há de julgar?
A essa hora da madrugada, goles de negra droga
Um lápis a saltar uma ou duas linhas
A distorcer capítulos.
Meu desejo não vive em cubículos
Hoje ele esteve nas tuas mãos

Corpo que outrora afasta
Mas que puxa num silêncio
Toma-me feito um refrigerante desesperado
Em dia quente, Juazeiro escaldado.

Corre, entrega em dia suas falas pre ensaiadas
Pois já ensaie, já decorei
A posição que meus olhos estarão
Ao se aproximarem dos teus
Por toda a madrugada.

9 Janeiros

Essa lua de hoje parece trocar de cor
Pra me acompanhar, pra te acompanhar aonde for

Me parece que a vida carece, perece
De temperos indianos
Vívidos cotidianos

Se o amor hoje, não vier com gosto
Vem depois, com calor, com sabor e se transforma
De em beijo em diante
Há de transmutar

- Não use freio motor nessa ladeira flutuante!
Desliza em meu peito
Trilha e divide comigo esse Merlot
Tempero para todas as almas apaixonadas

O nosso orgulho de fibra carnívora
Há de gritar um viva naquela calçada, quando o Reisado passar
Seremos um casal imperial
Em dia de núpcias
Ainda com planos para o Carnaval.